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viol„o de dois

Review

...Dabei das bemerkenswerte Duo Chico Mello & Silvia Ocougne aus Brasilien. Sie machen mit zwei Gitarren und anderen Instrumenten einen Streifzug durch die lateinamerikanische Popularmusik. Doch vertraute Melodien verfransen sich allmählich zu dissonatem Gewebe, werden zur Parodie oder Persiflage. Aber mit liebevollem Witz und Slapstick, etwa wenn die berühmte "Ipanema" - Melodie durch extreme Verlangsamung und Fragmentierung der Banalität enthoben wird. Oder Silvia Ocougne bei einem traurigen Samba über den Tod am Ende schnarcht. Ihr Programm "violao de dois" (om010202, rec.: 2. 2. 2001) ist sympathisch, doch leider nicht zu sehen. Denn zumindest kann man beim Anhören der CD ahnen, dass Gestik und Mimik des Duos fürs Publikum Bedeutung hatte. Wenn es denn irgendwann eine DVD davon geben könnte, wäre diese visuelle Musik erst ganz zu genießen... (oaksmus-Review)

Hans-Dieter Grünefeld / Jazzlive (Wien)



Improvisierte Musik aus Brasilien hört man auch nicht alle Tage. Mello & Ocougne bedienen ihre Instrumente nicht irgendwelchen Traditionalismen folgend, sondern als Handwerker auf der Suche nach neuen Applikationen. Klarinette und Gitarre liefern sich intensive aber feinfühlige Duelle und auch eine Matchbox ist unter den Instrumenten aufgeführt...

Yves / auf abwegen


CD experimental resgata repertório brasileiro

Compositores Chico Mello e Silvia Ocougne temperam música experimental com canções brasileiras, em CD ao vivo, gravado em petit comité, em Berlim

Uma música como Garota de Ipanema já não se ouve mais, apenas se recorda. Afinal, os nossos ouvidos já estão tão acostumados com a melodia e o timing de gravações clássicas, que a memória canta mais alto do que o som. Silvia Ocougne, de São Paulo, e Chico Mello, de Curitiba, compositores de música erudita contemporânea, residentes em Berlim há quase 15 anos, dispõem de uma série de artifícios para estranhar o repertório popular brasileiro, a ponto de as canções se tornarem novamente audíveis, sem o filtro da familiaridade. O humor do duo, que já trabalha em parceria desde 1987, é apenas uma de suas armas.

Radio Days - Ouvir Violão de Dois é como girar o tuner do rádio em movimento aleatório. Assim como o processo de sintonizar as estações seqüencializa fragmentos de música, fala, silêncio e os ruídos da mídia, as colagens de Chico Mello e Silvia Ocougne reprocessam temas musicais brasileiros, incorporando todas as "interferências".

John Cage na Praia, cujo título explicita uma referência central dos compositores, não é o único exemplo disso. Todo o CD, gravado ao vivo, quebra a hierarquia de som instrumental e vocal, composição, improvisação e bate-papo, integrando ao fluxo musical a prosódia dos textos falados e as conversas com o público como interlúdio. É neste contexto que se revela a ironia da Novela de Rádio, em que a canção A mulher que ficou na taça, de Francisco Alves e Orestes Barbosa, é submetida a uma pseudotradução simultânea para o alemão.

O Brasil não é longe daqui - Silvia Ocougne e Chico Mello não só traduzem o repertório popular brasileiro para a audição dos apreciadores de música contemporânea e experimental, mas também resgatam, à distância do Brasil, a própria memória cultural. "Ai, ai, Maria, sai da lata e vem prá mesa": só sendo brasileiro para entender a graça dos jingles contrabandeados na música, a paródia dos diversos registros da fala brasileira e outras referências locais.

Porém, mesmo sem compreender todas as referências, um alemão que não conheça de perto o Brasil reconhece em Violão de Dois uma música "autenticamente sul-americana, descontraída, tropical e cheia de charme erótico e encanto exótico". A versão silábica de Garota de Ipanema, por exemplo, mostra como o duo opera como veículo de tradução ou transliteração de hits brasileiros, sem decepcionar quem esteja esperando ouvir João Gilberto.

O transporte da música - Funcionando como processador intermusical, o duo estabelece uma conexão direta entre os mais variados códigos sonoros, à medida que destaca a materialidade da música como mídia temporal. Em Maria Fumaça, Take the "A" Train, de Billy Strayhorn, é reportado à estrada Madeira-Mamoré e o tema musical é distendido ad infinitum, até se dispersar na paisagem sonora.

Apesar da marcação ritmada da caixa de fósforos, o Trem das Onze de Adoniran ora se adianta, ora se atrasa, numa vocalização que parece jogar com as variações de rotação de um disco. Fazendo jus ao princípio do acaso, um bonde passa na rua no momento do show e deixa um rastro na gravação, algo que certamente agradaria a John Cage.

Cultura do sarau e experimento - A gravação de Violão de Dois foi feita na sala de estar do produtor Dietrich Eichmann, que organiza saraus musicais em Berlim, lançando os concertos pelo seu selo oaksmus. A idéia é registrar os eventos com a espontaneidade do momento, sem mascarar a gravação original com quaisquer recursos de pós-produção. Este contexto de gravação, que destaca a espacialidade do som e as improvisações com o público presente, mostra um outro ângulo do trabalho de Chico Mello e Silvia Ocougne, que em seu CD anterior, Música Brasileira De(s)composta (Edition Wandelweiser Records, 1996), já tinham resgatado o repertório brasileiro como material da música experimental.

Simone de Mello, de Berlim. Deutsche Welle Brasil - Cultura


Brasiliens Seele zwischen Tradition und Experiment
In Berlin lernten sich die beiden Brasilianer Chico Mello und Silvia Ocougne kennen, und vielleicht ist es die lange Abwesenheit aus ihrem Heimatland, die zu einer solch lockeren und neuen, aber auch respektlosen und ironischen Interpretation populärer brasilianischer Musik führt. Mittels eines ungewöhnliches Instrumentariums geben die beiden Musiker typisch brasilianische Geräusche wieder – das Chaos miteingeschlossen. Mello und Ocougne schrecken auch nicht davor zurück, Streichholzschachteln zu spielen, oder traditionelle Instrumente völlig unkonventionell zu bearbeiten. Dabei wird stets eine ebenfalls typisch brasilianische Heiterkeit bewahrt, mit dem richtigen exotischen Touch. Wer jemals Brasilien besucht hat, findet viel Atmosphäre in den Interpretationen von Chico Mello und Silvia Ocougne wieder.

Die beiden Musiker nehmen das traditionelle musikalische Ausgangsmaterial und schaffen daraus ihre eigene Musik. So sind sich bekannte Titel wie unter anderem Antonio Carlos Jobims ‘Garota de Ipanema’ oder ‘Fita amarela’ , die bekanntlich schon unzählige Male gecovert und neu interpretiert worden sind, unverzichtbare Bestandteile des Albums. Auf der vorliegenden CD präsentieren sie sich allerdings in völlig neuem Gewand, als Parodien und Persiflagen, die durch absurde Tempoveränderung völlig ihrer Wurzeln entledigt wurden. Mello und Ocougne schaffen eine Verbindung zwischen unterschiedlichen Audiokontexten. Von Klischees wird weitgehend Abstand genommen. Sie tauchen lediglich als musikalische Klangfetzen innerhalb der einzelnen Stücke ab und zu an der Oberfläche auf, das witzig-ironische Chaos steht dabei jedoch immer im Vordergrund. Die beiden Brasiliener präsentieren sich quasi als Intellektuelle auf der Suche nach einem neuen Weg, wobei viele ihrer Interpretationen durch ebenfalls chaotisch-sympathische Einleitungsgespräche erklärt werden. Dies ist besonders wichtig, da ein Großteil des deutschen Publikums ja die portugiesischen Texte nicht verstehen kann. Für die meisten Titel ist es jedoch unerläßlich, vorher zumindest einen raschen Blick in die südamerikanische Seele geworfen zu haben, und die Gelegenheit dazu wird von den beiden Musikern ausreichend geboten.

Einer der zentralen Titel des Albums ist ‘John Cage na praia n°5’ (John Cage am Strand Nr.5), in dem das ganze Konzept der beiden Musiker in einem Stück komprimiert erscheint. Allein der Titel dieses Stückes beinhaltet - stellvertretend für das gesamte Album - schon die intermusikalische Ausrichtung der vorliegenden CD. Aufgenommen wurde ‘Violão de dois’ live in Berlin, und es gelang mit diesem Album auch weitgehend, die Spontaneität der Musiker, sowie die hervorragende Kommunikation zwischen Bühne und Publikum festzuhalten. Chico Mello und Silvia Ocougne setzen mit ihrer CD ihrem persönlichen Brasilien ein Denkmal, gleichzeitig schaffen sie aber für Außenstehende einen ungewöhnlichen Zugang zu ihrem Heimatland. So wird ihre Musik gleichzeitig intim und doch sehr weitläufig.

Interpretation: 5 Sterne
Klangqualität: 5 Sterne
Repertoirewert: 5 Sterne

Klassik.com / eMusici: Rezension von Eva Gehrer (30.09.2002)

 


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